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0 Comments Published by Edson Arantes do Nascimento on Sunday, April 27, 2008 at 2:54 AM.'Em 92 disse para a minha mulher: vou montar a arma!, o primero filho-da-puta que subir está morto.' Narrava histórias destas que nem uma metralhadora, enquanto um carro desengonçado deslocava claviculas e pontapeava a estrada.
Vai tu à frente que já lá vou ter, dizia, precisamente antes de aviar mais um. 'Esse cabrão matava sempre alguém ao acordar - devia ser comandante ou assim. Claro que os soldados, sabendo dessa intenção do chefe, arranjavam uma vítima para cumprir a sua vontade. Normalmente seriam prisioneiros ou desgraçados que estavam ali mesmo. Eram colocados à frente do tal homem, não fosse ele aniquilar os seus próprios soldados.'
Pum!
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1 Comments Published by Edson Arantes do Nascimento on Monday, April 07, 2008 at 8:43 AM.Ele é na rua, na boca de todos nós, desde o advogado ao 'almeida', passando pela ignóbil professora de História do 10º ano e ainda pelo vizinho que sai às 4 e 30 e regressa às 21 horas.
Ele é nas rádios (Ecclésia, TSF, na Cadena Ser e na BBC Radio One, na Rádio Nacional de Angola e no Rádio Clube Português), na BBC, na Globo brasileira e depois na TPA e na Record e na RTP.
Abro parêntesis - tenho alguma dificuldade em compreender determinados pré-conceitos ou preconceitos, melhor dizendo.
Há países que apresentam um sector metalúrgico (entre outros, sobretudo ao nível da capacidade transformadora) pujante, um nível de industrialização bastante elevado e depois uma série de instituições de renome e de capacidade reconhecida, ao nível das ciências (humanas, sociais), ao nível da construção, da engenharia e da arquitectura. Que tem uma produção intelectual e cultural acima de qualquer suspeita, por apresentar grande nível e por ser representativa em diversos domínios (literatura, teatro, cinema, música). Que tem instituições médicas e de ensino capazes de se baterem com as melhores do mundo. Este país ainda teve a visão de apostar e consolidar uma política energética do mais inovador que conhecemos, sobretudo no que respeita ao desenvolvimento do etanol enquanto propulsor de motores automóveis - mas há mais: é o maior produtor de carne do mundo; tem cerca de 180 milhões de habitantes e uma capacidade de gerar rendimentos provenientes do turismo como poucos se podem orgulhar; apresenta um crescimento económico, nos últimos cinco anos, bem próximo dos dois digitos e uma democracia que se tem vindo, quase heroicamente, a consolidar; se juntarmos a isto tudo uma história e um legado geracional extremamente rico, será que se pode classificar este país de 'atrasado' ou 'terceiro-mundista'? É uma aberração!,
fecho parêntesis.
Eles são os próprios brasileiros e angolanos e cabo-verdianos (ah, esperem, desde o ano passado ou quê, que a ONU veio dizer que Cabo Verde já não é 'muito pobre', agora já só é 'ligeiramente pobre') e os outros, os outros!, alemães, holandeses, americanos, quando atiram de Chivas '15 anos' a roçar nas barrigas proeminentes aqueles duas-palavras-juntas-com-hífen: 'terceiro-mundo'.
Assim, secos, de uísque seco em punho (no 'terceiro-mundo', normalmente quente, árido, difícil e injusto, o uísque, mesmo o '15 anos', tem de vir on the rocks) e uma estante e uma bagagem cheia de nada, nem sequer de vento. Nunca pensaram, nunca lhes passou pela cabeça que nesses longínquos 'terceiros-mundos' há pessoas que, estando perfeitamente abandonadas, sabem mais da vida e de nós todos.
Nunca lhes passou pela cabeça que eles próprios vivem em situações que eu posso considerar de 'terceiro-mundistas', mesmo só imaginando o que isso significa: ou será que fazer uma vida casa, trabalho, casa, e assim sucessivamente, sem estímulos de qualquer espécie, nem rasgos de vontade e intensidade próprias, é que é viver num edílico 'primeiro-mundo'?
Estas reminiscências das 'conferências de Berlim' e de um mundo ao contrário, habitado por pessoas que viveram séculos viradas do avesso, subsistem e deixam-me fatigado. A pergunta que fica será esta: alguém, na imagem em baixo, descortina um, dois, ou mesmo três 'mundos'?

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0 Comments Published by Edson Arantes do Nascimento on Wednesday, December 12, 2007 at 6:54 AM.De facto, há coisas que me deixam espantado, por um lado, receoso, por outro. Aqui.
Este senhor, que eu não conheço, titula o seu artigo de opinião da seguinte forma: 'Se Mugabe mudar um milímetro o ultimato de 1890 está vingado'.
Resumo: isto, a África (especialmente aquela do cliché do pôr-do-sol 'maravilhoso e único', a do continente 'colorido e folclórico como não há igual' e o das 'pessoas alegres, mesmo passando as dificuldades que passam' e, já agora, a dos petróleos e o resto) continua a ser uma coisa para ser discutida entre 'portugueses' e 'ingleses'. Ele tenta dizer, por '1 mais 1, igual a 24', que, pelo facto do Mugabe ter estado presente na cimeira e de ter sido interpelado relativamente à situação no seu país, em contraponto com a ausência declarada (e discriminatória, arrisco) de grandes figuras inglesas, poderia levar a alguma mudança e, dessa forma, comprovar a 'influência' e 'respeito' que os portugueses ainda granjeam em África, ao contrário de outros.
Isto seria, por mais estranho que possa parecer, uma forma de 'vingar' a influência inglesa no fracassado projecto 'tuga', conhecido como 'mapa cor-de-rosa'. Faltam-me adjectivos para classificar tremendo disparate (vá lá, consegui desencantar um).
Pior do que determinadas teorias é constatar que a tónica da relação UE/África continua a ser esta. A de que os 'europeus' deram (e continuam a 'dar', como titulou o 'Correio da Manhã' logo na sexta-feira, dia 7 de Dezembro, ainda a cimeira não tinha arrancado...) muito mais a África do que África deu à Europa e que certas 'vinganças' ainda são possíveis e desejáveis, até porque há uma certa legitimidade neste pensamento, neste processo compensatório, consideram eles. Tristemente ridículo.
A tal postura é visível também no discurso racista/colonialista/imperialista de grande parte dos habitantes daquele continente, que nunca chegaram a compreender que hoje são ricos porque levaram tudo o que quiseram daqui, praticamente sem pagar: e isto inclui, obviamente, uma quantidade astronómica de cérebros, ou seja, para além da pilhagem material, ainda conseguiram deslocar e arrecadar os mais inteligentes e capazes.
Esta estratégia é visível quando, na excelente série de reportagens 'A Guerra' (confesso que só vi dois episódios, incrivelmente bons e com uma abordagem que me agrada bastante), do jornalista Joaquim Furtado, somos informados que 'só poderiam ir à escola os assimilados, reconhecidos administrativamente como tal' - muitos deles acabaram por ir estudar para a 'metrópole' e nunca regressaram à 'banda', obviamente; já Sarkozy, em recente visita ao Benin, perguntava, espantado-mas-orgulhoso: 'como é possível haver em França mais médicos beninenses, do que médicos em todo o Benin?'. Por acaso gostava que tivesse respondido à questão, em vez de a ter formulado.
Sabem do que África precisa e nunca teve? De respeito - pela sua incrível história, pela sua cultura, pelas pessoas que nela habitam. Pelo futuro. Pela soberania conquistada a ferro e fogo. Só.
O resto virá depois.
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1 Comments Published by Edson Arantes do Nascimento on Thursday, December 06, 2007 at 2:05 AM.Como se sabe, no próximo fim-de-semana, 8 e 9 de Dezembro, vai ser realizada a cimeira do Mugabe e do Bro(che).... arrr, não, a cimeira, dizia, UE/África. Assim é que é.
Sobre isto, o 'Correio da Manhã' estampa assim: 'Europa manda chuva de milhões para África'.
Quando as coisas são postas nestes termos, aquilo que parece é que a 'Europa' (os ricos, bem cheirosos e empertigados) vai 'fazer chover' (o que em algumas regiões de África seria bem mais importante do que vinte camiões de milhões de dólares) 'mais uns quantos barris de dinheiro' para 'ajudar' os 'coitadinhos', aqueles que 'a gente vemos todos os dias no jornal da noite'.
Eu diria que perante este paradigma pouco há a discutir. As reuniões vão ser um monólogo Mugabe, Mugabe, Mugabe, entrecortados por dinheiro, dinheiro, dinheiro. Não é uma boa agenda. Primeiro, porque o Mugabe é um pobre coitado, quase sem eira nem beira. Mais cedo ou mais tarde cairá de podre e todos vamos rir e chorar com a degradação a que um país chegou.
Segundo, porque - espanta-me como ainda não se percebeu isto - 'África' (na verdade, só esta maneira de falar de um continente já é altamente redutora, ou será que podemos comparar um 'Marrocos' com um 'Moçambique'? Ou um 'Ruanda' com uma 'África do Sul'? Adiante.) não precisa de dinheiro. Vou repetir: 'África' não precisa de dinheiro. Mais uma vez:
- África não precisa de dinheiro. Pelo menos assim, à toa, tipo puxo o cheque e toma lá 'uma chuva de milhões'. Não, assim não.
Até porque estes valores vêm em que forma? Daquilo que tenho conhecimento, é mais ou menos assim - uma parte em projectos oficiais (leia-se 'linhas de crédito', linhas de 'financiamento para projectos sociais', 'investimento, directo ou indirecto'), outra para financiar a actividade de ONG's e companhia limitada.
Haverá melhor forma do que financiar os 'Mugabes'? Não me parece. O que me parece, sinceramente, é que estes dinheiros estão a comprar outros interesses, interesses económicos, claro. Porque se é verdade que a Europa envia 'uma chuva de milhões' para 'África', também é uma verdade verdadinha que 'África' envia, só em petróleo, por exemplo, uma chuva de barris... por dia. Chuva que entra direitinha nos bolsos dos 'Mugabes' em forma de dólar. Não é?
2. As ONG's
Eu também tinha um sonho - ir percorrer o mundo 'para ajudar alguém'. Assim.
Uma coisa bonita, faz-nos sentir importantes, bonitos e profilácticos. E hipócritas, talvez - de repente, mesmo mesmo, agora, não me consigo recordar de um projecto estruturante e que tenha deixado marcas profundas num bairro, numa vila, numa cidade angolana. Recordo-me da 'missão católica' no Dondo (os 'Salesianos' do Dondo), ao Kwanza-sul, por exemplo, onde para além da Escola primária e do 'ATL' (entre entre aspas), têm ainda um Instituto Médio de Formação. Uma obra de décadas, de dificuldades e de muita persistência.
Agora, ONG's financiadas por dinheiros estrangeiros, nada (recordo-me também do trabalho da ONG angolana 'Omunga', no Lobito, que tem desenvolvido actividades interessantes; como é evidente, estes rapazes são perseguidos, não têm dinheiro, uma série de dificuldades; posso falar também da 'Mãos livres', do activista angolano Luiz Araújo, que enfrenta, com certeza, os mesmíssimos problemas).
O que eu vejo é estes rapazes e raparigas 'das ONG's' a viverem, muitas das vezes, à grande e à francesa, fechados em círculos viciosos de trabalho e de boa vida - quando me disseram que estes 'ajudantes' ganham à volta de 3 mil dólares por mês, com casa, comida e roupa lavada (pode chegar aos 12 mil dólares!), espantei-me. Arrepiei-me. Pior: muitas das vezes não fazem realmente nada.
Resumidamente - a maior parte das tais ONG's são um grande tacho para uma série de pessoas e de países. São um antro de dinheiro e de energias mal gastas. Muitas das vezes limitam de forma clara a actividade de associações cívicas e ONG's nacionais, que, na maior parte das vezes, conhecem o terreno, as pessoas, as dificuldades e, mais do que isso, podem fazer um trabalho contínuo e mais profundo - ao contrário das ditas 'ONG's', que montam uma plataforma giratória de pessoal estrangeiro, não contratam practicamente 'nacionais' nenhuns (tirando motoristas, lavadeiras e secretárias, claro) e que, ao fim de um determinado tempo, fecham a tenda e bazam.
Pelo meio, há organizações que desenvolvem, claramente, actividades políticas ou politizadas, muitas vezes sem terem competência nem autorização para tal. Outros, querem fazer 'negócio': para mim, aqueles anormais-pedófilos-criminosos que queriam levar 100 e tal miúdos do Chade em direcção a França, podiam ser queimados na fogueira. E se calhar era pouco.
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4 Comments Published by Edson Arantes do Nascimento on Sunday, November 11, 2007 at 5:10 AM.
» Angola é, sem dúvida, uma grande terra e um grande paísDipanda*
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0 Comments Published by Edson Arantes do Nascimento on Friday, September 14, 2007 at 3:19 AM.Sal
Pedir sal não significa que eu seja pobre
Emprestar sal não significa que esteja falido
Nosso sal desapareceu inesperadamente
Nosso sal acabou inesperadamente
Se a cantina ainda estivesse aqui
As crianças poderiam ir comprar um pouco
Mas a cantina desapareceu
Foi destruída pelo Tsunami
O sadza está pronto
O molho está pronto
A família está à espera
Mas não há sal
Não penses que estou louco
tu e eu sabemos quem está louco
Não penses que não consigo planear
Sabemos muito quem é que não planeia
Por favor, ajuda-me com sal
Até uma colher de chá resolve
Por favor, não tenho culpa
A nossa terra foi tomada por espíritos malignos
Chirikuré Chirikuré
Nota: Esta sequência de poemas aqui publicados de forma simbólica são o meu contributo para uma iniciativa que decorreu em várias cidades do mundo e que pretendia lembrar, discutir e denunciar uma série de atrocidades que têm vindo a ser cometidas no Zimbabué. A História não é fácil de compreender, nem é um argumento simplório e linear e simples.
Enfim, pede-se apenas que respeitem as pessoas - e isto é bastante simples.
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0 Comments Published by Edson Arantes do Nascimento on Thursday, September 13, 2007 at 2:27 AM.Oráculo do Povo
O que ela vê é o matagal
De heróis desempregados
Que na véspera conquistaram um país
E hoje caíram na desgraça
E alguns morros incitaram-lhes a sede
Outros ao fogo e à blasfémia
Que acenam a turistas, autocarros
Soltando ruína inenarrável
Vê quilómetros de terra ressequida
de ocupantes esquálidos assolados
E de senhores obesos, soberbos e armados
Que incendeiam-lhes os incidentais abrigos
Levando ao juiz, ao tribunal da aldeia
o mais faminto e vulnerável cidadão -
Vê camiões de ajuda alimentar
Esfumarem-se entre o ponto de partida
E um destino que os aguarda –
Desesperada, encontram-na em tabernas
E botequins, na berma dos caminhos
E em bordéis: vendendo as derradeiros
Estilhaços da sua quimera amargurada.
Dambudzo Marechera
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0 Comments Published by Edson Arantes do Nascimento on Wednesday, September 12, 2007 at 2:38 AM.Noites com fantasmas - Carta de uma criança no entulho
(escrita depois da Operação Murambatsvina, na qual o governo do Zimbabwe destruiu 700 mil casas)
querido samueri, meu amigo,
nunca mais te verei de novo;
talvez sim.
mas só vou saber quando o pai encontrar uma nova morada para nós.
moradas!
já não temos nenhum endereço.
somos sem-abrigo.
e agora que escrevi esta carta,
para onde devo enviá-la?
devo dizer,
samueri,
ao cuidado do próximo entulho
harare?
ou devo dizer,
samueri,
ao cuidado de toda a imundície,
salisbury?
lembras-te
da nossa pequena rua?
aquela com o vidro quebrado,
aquela onde urinávamos livremente
atrás do pequeno mercado
e as nossas mães nos chamavam
com as doces vozes de mães?
As nossa pequena rua,
com galinhas que não eram de ninguém
em particular,
já não existe:
não sei qual é a tua morada,
tu não sabes qual é a minha.
samueri,
estou sentado
num tijolo partido,
o único sobrevivente da nossa casa.
E tu, estás em cima do quê,
samueri?
Estás a ver, samueri,
não temos armas
nem flechas
nem arcos,
ou paus.
Diz-me então,
samueri,
porque é que a polícia
traz armas
martelos
raiva
sangue nos olhos
para destruir a nossa casa?
até o professor mutawu,
também não tem morada.
vi a escola
a arder.
vi o professor a chorar,
a ser levado pela polícia
com armas e raiva.
continuarei a escrever esta carta,
samueri
até saber
a tua morada
a morada do professor mutawu
a morada do trabalho do meu pai
a morada da minha irmãzinha
a morada do meu cachorrinho
a morada da minha mãe
a morada de todos
ao cuidado do spca
ao cuidado do departamento da imundície
ao cuidado da ordem
ao cuidado do campo da caledónia,
ao cuidado das terras tribais
ao cuidado da margem do rio!
ao cuidado do campo de baratas!
ao cuidado das larvas
ao cuidado do crime e do pó
ao cuidado da presidência!
samueri,
diz ao professor mutawu,
que quero aprender a escrever
para poder apagar as memórias
dos destroços da nossa casa
diz ao professor mutawu,
que nos veremos
quando eu tiver uma barba longa
e conduzir um carro
como o carro de polícia
como os soldados com armas.
samueri,
envio-te apenas
um tijolo partido
antes deles voltarem a parti-lo
pela segunda vez
pela terceira vez
pela quarta vez.
um tijolo partido
um coração partido
um pai partido
uma mãe partida.
samueri,
sê forte.
samueri,
cuidado com os tijolos que caem
e armas.
Chenjerai Hove, autor zimbabueano
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0 Comments Published by Edson Arantes do Nascimento on Tuesday, September 11, 2007 at 1:57 AM.Vamos chorar com esperança
Sabemos de onde viemos
Vivemos tempos bons
Mas também momentos tristes
Sabemos onde estamos
Os momentos felizes são raros
A tristeza persegue-nos
Sabemos onde queremos chegar
À multiplicação dos momentos felizes
Onde a tristeza seja coisa do passado
Deveríamos estar de luto definitivamente
Mas deixem-nos chorar com esperança
Amanhã celebraremos
Chirikuré Chirikuré, autor zimbabueano
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0 Comments Published by Edson Arantes do Nascimento on Monday, September 10, 2007 at 2:52 AM.Na prisão, o único telefone é a pia
Buraco: sopra e ouviremos!
Escreve um poema, não das palestras de sala de aula
Mas a partir do desafio estridente das barricadas
do monóculo brilhantemente congelado de uma mortalha
dos tiros do dia e da tocha humana gritando na noite
dos dentes sangrando que informaram a percepção subterrânea do fogo negro
Escreve um poema sem a rima e razão da Inglaterra
Nem o canto israelense que gagueja balas contra palestinos
Nem (por favor!) sobre a negritude que nos enegreceu
Escreve o poema, a canção, o hino, com o que dentro de ti fundiu metas com armas e criou cidadãos em vez de escravos
Não grites silenciosamente
Queremos ouvir, saber
E forjar o escudo
que o poeta precisa contra ELES!
Dambudzo Marechera, autor zimbabueano
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0 Comments Published by Edson Arantes do Nascimento on Friday, September 07, 2007 at 4:14 AM.Na próxima quarta-feira, dia 12 de Setembro, o espaço Ler Devagar/Eterno Retorno em Braço de Prata, Lisboa, acolhe o evento «Shout! Pela Democracia e Liberdade de Imprensa no Zimbabué».
Esta iniciativa decorre simultaneamente em variadas cidades do Mundo e consiste na leitura colectiva de poemas de autores zimbabueanos em espaços públicos, nas rádios locais ou nacionais, e é promovida pela Fundação Peter Weiss for Art and Politics no âmbito do Festival Internacional de Literatura de Berlim (de 4 a 16 de Setembro nesta cidade).
Lisboa junta-se ao apelo lançado pela Peter Weiss e propõe a leitura de poemas de autores zimbabueanos e ainda de outros autores (Mia Couto e João Cabral de Melo Neto são alguns) que enformem o alerta que se pretende deixar ao Mundo: a realidade no Zimbabué é desesperante, os media são controlados e a informação manipulada, o povo tem fome e as perseguições políticas assumem cenários dantescos.
Nomes como Luanda Cozetti (cantora), Chullage (rapper), Nástio Mosquito (performer), Tiago Gomes (editor), Belen (actriz argentina), Meirinho (actor) e Danae (cantora) confirmaram a sua participação no evento. Começa às 21h30.
Paralelamente, haverá uma campanha verde nos jardins da cidade: usamos os ramos das árvores como braços de distribuição nos quais prendemos poemas do Zimbabué com uma breve explicação do evento e seu enquadramento.
Já mais de 50 países confirmaram a sua participação assim como vários escritores de renome: John Ashbery, Jon Fosse, Margaret Atwood, Alessandro Baricco, John M. Coetzee, Don Delillo, Nadine Gordimer, Gunter Grass e John Updike são alguns deles.
Apelamos aos media em geral, aos bloguistas, às rádios e aos autores de programas de cultura e literatura para uma participação activa: divulguem o evento, leiam um dos poemas no vosso programa ou venham ao evento e transmitam as leituras em directo.
O silêncio sobre o Zimbabué não pode continuar.
Divulguem e apareçam.
http://www.peter-weiss-stiftung.de/
(A livraria Ler Devagar/Eterno Retorno em Braço de Prata (antiga fábrica de armamento) fica junto à rotunda 25 Abril, a caminho do Parque das Nações. Na direcção Santa Apolónia-Expo encontra esta rotunda após os cilos da fábrica, faça meia rotunda para trás e entre na rua estreita à direita. Percorra o muro e entre no portão à direita. Estacionamento privativo e gratuito.)
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0 Comments Published by Edson Arantes do Nascimento on Tuesday, September 04, 2007 at 7:50 AM.Apanhei este texto aqui. E vale a pena ler.
P.S. - Espero que, através do material reunido neste blogue, tenha conseguido distanciar-me de uma série de clichés ali expostos, quais fracturas.
(Ah, gostaria de acrescentar mais um que não está referenciado naquele texto. Cá vai.)
- Então man.
- Comé, estás fixe! (abraços abraços abraços)
- Essa Luanda?
- Tudo porreiro, está tudo a correr bem e tal e quê.
- As mulheres, conta-me tudo sobre elas - aquilo lá (lá!, lá no fundo, longe longe e distante), quando elas vêem um branco ficam doidas, não é?
Não, não é, é mentira, isso é conversa de pula-cheio-de-kumbu.
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2 Comments Published by Edson Arantes do Nascimento on Wednesday, June 27, 2007 at 3:49 AM.Luanda-maracujá
(Sorrisos leves em dias de quentura e desleixo. É assim. Vida mulata, ou não, pessoas vivem. ‘Mas vivem sempre’, dizem os pragmáticos, ‘enquanto estamos vivos, estamos sempre a viver e esse nem é um bom mote para uma história boa, seja ela qual for’. Os pragmáticos, segundo o brasileiro e escritor e cronista-quase-génio Nelson Rodrigues, procuram a objectividade, aquele conceito que é tudo e não é nada, insensível, porque a objectividade é isso mesmo: um objectivo (a não ser cumprido, de preferência). Tal como todas as histórias. Tal como o Mundo. Tal como a vida – todas as vidas são boas histórias, mesmo as de maracujás, mesmo que sejam tudo e nada, sem futuro e sem peripécias e sem objectivos, quase como um fruto pendurado na árvore uma vida inteira, até cair esborrachado ao lado das formigas e dos lagartos.)
Girar e arrancar do galho
Dona Jamélia, 33 anos feitos ontem, era a cara chapada do filho, ou vice-versa, o pequeno Zinho, de 5 anos. Passavam a vida no alcatrão-cimentado que no Verão parece plasticina. Vendiam maracujás. Amarelos, grenás, de cor mais bordeux, não interessa. Eram coloridos, pronto. Tinham muitas cores, que, curiosamente, não acompanhavam o dia-a-dia e o estado de espírito daquele casal, mãe e filho, tranquilos e empoeirados, refastelados e pobres.
‘O pai?’ franzia Jamélia as sobrancelhas quando lhe perguntavam por Artur-pai. O filho era Zinho, de Arturzinho, nome de registo. ‘Hum, desconfirmou, e coiso, vazou’, atirava logo de seguida, sem engolir nem um pouco de oxigénio, e sem um bocadinho assim que fosse de saudade, acompanhando a frase com um leve movimento manual, indicativo.
Eram só os dois. (Aliás, seriam três. Os maracujás fazem parte da vida desta mãe e deste filho.) Não se pense que vendiam maracujás para não vender banana ou abacaxi ou batata-rena, isto não lhes era indiferente. Jamélia é uma moça inteligente, sensível, bonita, ui, para lá de bonita – mas ‘deseducada’. Mal saberia ler. Contas, eram uma desgraça. Enganava-se, repetia-se, perdia-se. Tinha crescido sem escola, só na escola dos homens e das amigas e das tragédias todas de um país e de um continente sem fôlego.
Precisava respirar um ar mais puro e justo. É assim com todas as pessoas e com todos os maracujás, até: para sermos justos, precisamos conhecer a justiça; para sermos limpos necessitamos saber o que é a limpeza, o asseio; para apanhar o fruto da árvore, é preciso saber o que é deitar a mão, arrancar qualquer coisa de um qualquer sítio. Esta não é uma conversa moralista, nem profunda, sequer. Podemos todos ser inteligentes sem ser educados e sem saber comer com faca e garfo, sem beber vinho nos copos de cristal em forma de balão-de-chiclet.
Jamélia era assim – cuspia no chão, não tinha meias palavras (quando ofendia era de fodido para cima), terminava quase todas as frases em ‘coiso’, palitava os dentes, não bebia vinho (só Cuca, e pela garrafa), não tinha o cubico a brilhar, até porque seria impossível. A terra vermelha é sempre baça e aquele quadrado rodeado de chapa e cartão-mais-pó não tinha remédio. Ela também não se importava. Pronto, era deseducada mas inteligente.
(Era era. Ela olhava os maracujás, observava-os com atenção, horas a fio, dias inteiros, dias em que quase não os vendia, inebriada e pensativa.)
A sabedoria de Jamélia seria metafórica, exactamente assim, metafórica e sem maquilhagem – de tão pura, tornava-se uma quase santa. Uma mulher de metáforas, que as debitava num estado semi-inconsciente, semi-educada, semi-maracujá. ‘O meu palácio di lama’, era como se referia, grossa e sempre jocosa, à sua ‘vivenda’ no bairro do Golf, subúrbio da Luanda dos nossos dias. Uma cidade à procura de o ser, à procura de mais uma chance, de uma oportunidade para ser maior e mais bonita e justa e tudo isso que as cidades boas são. Esta, que nos serve de pano de fundo, cresceu cresceu e cresceu mas nunca passou do complexo de Édipo – foi elaborada na barriga de uma Lisboa que também já não existe, e nunca saiu daquela caixa de ar, segura da guerra, dos tiros e da luta fratricida.
(‘Amor de mãe’ – dá para tatuar este cliché, com âncora e tudo, num dos braços da cidade.)
Enfim, a Luanda, Jamélia deu o apelido de ‘Cidade dá justiça’. Porque era aqui que tinha feito justiça e arrematado um belo pontapé-no-traseiro do pai do Zinho. O seus pensamentos não eram rebuscados, e era mesmo por isso que seriam interessantes. As amigas-colegas destravavam-se em gargalhadas, rebolavam e riam. ‘Dá justiça! Xé, justiça quê? Justiça dessa nem na novela das 20, moça. Esses cabritos só roubam o povo, é só sofrer sofrer, sofrer bué. Que vida fodida, sem kumbú, sem energia, sem água, sem escola, ah Jámélia não brinca mais assim’.
(Pois é, levavam os dizeres de Jamélia a sério, não os transpondo para a vida de cada uma delas - descontextualizadas como eram, assemelhavam-se a um editor de jornal sem editar notícias. Passava tudo em seco, incoerente e inconsciente. Sim, ela brincava mas entregava-lhes a sabedoria, todos-os-dias-menos-Domingo, naquela esquina do Largo da 'Oliva' com as arcadas dos Registos Centrais.)
Tirar a faca do bolso, abrir o maracujá
Tinha uns olhos castanhos, cor de bombom. Condizia bem com a sua pele, leite com carradas de café. Mas Jamélia era uma espécie de feiticeira, mãe de todas as verdades. Quando vendia maracujás, o pregão era mais ou menos assim:
- Moça, pssst moça! Não queres levar a nossa cidade? Leva só… 500!, 500 Kwanza!
Trabalhava enquanto esticava aqueles cabelos difíceis mas de beleza singular. Jamélia também não fazia por menos. Enquanto os maracujás amadureciam ao sol quase fulminante, ela ia tratando da sua imagem. Chegava a ficar com meia cabeça em trancinhas, perfeitinhas e bonitinhas, e outra meia de cabelo electrificado, espigadão e mal-encarado. Isto de manhã, porque por volta das 12, não, 13 horas, esticava o pano verde, (vermelho, rabiscado, azul-forte e azul-claro), das crianças e jibóiava só.
(Aquele pregão não era normal.) ‘Ai é?’, pensavam os transeuntes quando ouviam a dona. Alguns. Outros esbugalhavam os olhos, surpresos. Mas a realidade é esta: quem se iria empertigar com uma oferta daquelas? Quem comprava maracujás nem se questionava, nem discutia com a kitandeira. (A não ser o preço.) Pagavam e pronto.
Jamélia também não era, sejamos coerentes e verdadeiros, uma pessoa extrovertida. Os diálogos com os clientes, por exemplo, roçavam o monocórdico:
- Bom dia mãe. Dá-me 500 de maracujá, ya?
- Hum Hum. Zinho, vem praqui, não faiz isso. (O ruído de fundo, bip bip, vruuuuum, bip bip, ‘ó senhor!’, e os escapes abertos quais assassinos de pistola-com-silenciador também não eram propícios a grandes debates.)
- Zinhou! Já te falei e coiso, não faiz isso porra!
- Dona, porquê dizes se não queremos ‘levar a nossa cidade’?
- Ah, é maneira de falar uê?
As conversas seguiam sempre o mesmo caminho. (Muitos consideravam Jamélia um ser perdido, sem rumo e desfigurado – as pessoas passam a ser ‘loucas’, logo, automaticamente. Basta o contexto ser desfavorável e a mensagem pouco credível.)
Comer o maracujá
- Zinhou!, toma o coiso, vais comer já!
Jamélia estende a mão e despeja na boca de Zinho mais um maracujá.
- Filho, bebe um pouco da nossa cidade. Está a ver, tem semente, muita semente. Tem vida. Tem cor, mas alguns estão apodrecer, velhos, desmotivados. Num parece uma coiso, hum, uma cidade qualquer?
(Zinho bebia, só. Não atendia ao processo de libertação metafórica em que a mãe se encontrava, sozinha na rua, sozinha num mundo achatado, de cabeças achatadas e corações achatados.)
À volta daquele casal, mãe e filho, todos se comportam como citadinos, como frutos de uma árvore que já deu muitos rebentos, que depois se transformaram em galhos e que deram folhas e flores e frutos. E foram comidos e outros caíram de podre, no chão sujo da poeira vermelha, branca, cinzenta-escura e outra vez vermelha, mas baça ainda e sempre, quase descolorida. Outros foram trespassados por mosquitos e melgas e moscas e abelhas, que ferram tudo o que for doce e comestível, belo mas enjoativo, quase um misto de pato-à-pequim com mufete e vinagrete e mandioca e tudo o resto, acre doce tropical e doce, outra vez e a dobrar.
É isso, Luanda é quase um barco à deriva, enjoado, saltitante e desencorajador, bonito como a dureza de um mar azul que se perde de vista. Nojento, porco e malcriado e mal-amanhado, mas caramelado, com moças carameladas, com um sol caramelado (e, por vezes, acre e forte mas saboroso) e pessoas carameladas e arrrrgh, às vezes áspero e sensaborão e bonacheirão, sem pinta e sem estilo.
Jamélia é, ela própria, a metáfora que guia o candongueiro da vida.
A metáfora que pode ser transposta para um maracujá qualquer – uma mulher de trabalho, com filhos, com problemas e desequilíbrios. Um fruto por amadurecer, que depois de maduro não dá em nada. Falta-lhe uma boca boa para trincar, uma vida para amar – circular, endémico, doentio e palpável. Os maracujás, pendurados no galho como se estivessem debruçados no parapeito das varandas-quase-corredores, típicos de uma época de arquitecturas arriscadas e de injustiças para lá de arriscadas, nascem, desenvolvem-se, reproduzem-se e morrem.
(Jamélia, ao olhar anos a fio para aquelas bolas que parecem rostos – marcadas com buracos de acne e covas de expressão, marcas da vida e das sementes que fizeram crescer outras sementes e outros rostos – via elementos que só ela descortinava. Só uma mulher poderia engendrar uma cidade tal qual um fruto, uma vida. Instintivamente, Jamélia sabia que havia uma ressalva: ao contrário das vidas de nós todos, as cidades, esta cidade, esta Luanda-maracujá, não pode morrer, nunca.)
(também publicado em http://www.cidadepossivel.blogspot.com/)
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0 Comments Published by Edson Arantes do Nascimento on Tuesday, June 19, 2007 at 8:08 AM.
fotografia de Kiluanji Kia HendaLabels: Interregnos
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3 Comments Published by Edson Arantes do Nascimento on Wednesday, May 23, 2007 at 8:13 AM.No meio da rua empoeirada um puto chutava uma bola, pequena. Curiosamente, o esférico apresentava-se com a palavra “Portugal” inscrita em tons dourados num fundo bordeaux, quase tinto-alentejano.
Um puto de 3, não, talvez 4 anos, chutava-a contra a parede e deixava-a rebolar, ora para os meus pés, ora para aquelas águas paradas, verdes e mal-lavadas. E repetia o gesto, sempre.
“Como te chamas?”, perguntei a determinada altura.
“Klinnsmann”, respondeu. As sílabas conseguiram esvoaçar aquele espaço curto, o espaço deixado pela falta de dois dentes, de certa forma envergonhadas por um nome de proveniência insegura. Klinnsmann – avançado alto, rápido, espadaúdo. Foi artilheiro, durante anos-a-fio, de uma águia real alemã, vencedora e quase inesquecível pela vontade e pela organização. Nunca pela sua beleza - mas, digamos assim, o futebol não é como as mulheres. Para ser bom não precisa de ser bonito. Não, não precisa.
“Klinnsmann?!, e sabes quem era esse senhor?”
“Era um alemão, jogador de futebol”, diz de forma escondida mas assertiva, num estilo larga-me-da-mão-porque-já me-perguntaram-isso-vezes-a-mais.
O cenário, claro, é africano, puro e duro. Sensorialmente forte e capaz de desregular o melhor dos relógios suíços, pela sua intensidade mística mas, sobretudo, pela força cultural de um continente velho. Literalmente velho.
O puto despede-se com um acenar, levantando os dedos, abanando-os na direcção desejada. Quase a lembrar o Klinnsmann mais-velho depois de destroçar um Benfica de trazer-por-casa, numa noite fria e impessoal, típica de uma Munique que puto Klinnsmann desconhece, longínqua e inimaginável.
(História forjada num atelier de escrita criativa/reportagem dirigido pela Marta Lança, jornalista, editora e “aspirante a escritora” e pela Susana Moreira Marques, jornalista do Público, actualmente sediada em Londres.
Deixo-vos a questão que dava vida ao exercício: esta história, será ficção ou realidade?
Fico a aguardar as respostas na caixa de comentários.)
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0 Comments Published by Edson Arantes do Nascimento on Wednesday, April 25, 2007 at 3:55 PM.Consta que os primeiros "descobridores" foram o havaiano Randy Rarick e o português Nuno Jonet, natural de Angola. Nas décadas de 60 e 70, talvez, em "viagens" diferentes, seguramente. Eles, mais o fotógrafo profisional John Callahan e o brasileiro Fred D'orey (editor, jornalista e colunista da brasileira Fluir), voltaram recentemente às esquerdas poderosas e espaçadas. (Vários registos disponíveis - com "marca d'água", infelizmente - aqui, escolham "Angola" e carreguem no botão "search".)
Toda e qualquer designação do género "o bodyboard em Angola" é estapafúrdia e ridícula. Não existe, não há marcas históricas, nem culto montado. Não há lojas e marcas de pranchas e de roupa e de wax. A comunicação social, no que se refere a este assunto, só ouve o hit "Estou nem aí".
Nunca tive o prazer (sim, aqui é um prazer!, ainda e por enquanto) de compartilhar as ondas com outro bodyboarder, tirando uns franceses de equipamento made in Carrefour de Saint-denis. Surfistas, sim, uns quantos, mas que montaram base em Cabo Ledo. Estrangeiros e uns quantos locais.
Vem aí o Cacimbo, a época de ondas por excelência. Ondulações formadas nos sovacos do Adamastor, sobem freneticamente o continente africano até ao Golfo da Guiné. Haja carro (porque é longe de Luanda e os trilhos são duros), paciência (para sair da cidade são duas horas de fila) e dinheiro (para pernoitar em sítios pouco baratos) e lá estarei.
A redescobrir os caminhos do bodyboard (e do surf, por inerência).
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2 Comments Published by Edson Arantes do Nascimento on Monday, February 19, 2007 at 6:40 AM.

A Televisão Pública de Angola (TPA) está a transmitir as primeiras "épocas" de duas (excelentes, excelentes, excelentes) séries altamente cultivadas por um número grande de pessoas.
"Os Sopranos" e "Sete Palmos de Terra", sábados e domingos, respectivamente.
Ora, isto é uma pedrada num Oceano (com "O" grande) de algum obscurantismo no que diz respeito ao acesso a certas e determinadas produções, televisivas ou cinematográficas, por parte dos angolanos.
Será que esta situção caricatura a mudança que se deseja, numa sociedade fechada como tem sido a angolana?
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0 Comments Published by Edson Arantes do Nascimento on Monday, February 12, 2007 at 9:39 AM.Labels: Bodyboard, Interregnos, Praia, Viagens
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0 Comments Published by Edson Arantes do Nascimento on Tuesday, January 02, 2007 at 3:53 PM.«O surgimento do Belas Shopping representa bem este momento [económico], já que um shopping é o maior símbolo de desenvolvimento e modernidade para uma cidade.» in Angola Acontece
Se assim for, estamos mal.
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