Interregnos
0 Comments Published by Edson Arantes do Nascimento on Friday, September 14, 2007 at 3:19 AM.
«SHOUT! PELA DEMOCRACIA E LIBERDADE DE IMPRENSA NO ZIMBABUÉ»
Sal
Pedir sal não significa que eu seja pobre
Emprestar sal não significa que esteja falido
Nosso sal desapareceu inesperadamente
Nosso sal acabou inesperadamente
Se a cantina ainda estivesse aqui
As crianças poderiam ir comprar um pouco
Mas a cantina desapareceu
Foi destruída pelo Tsunami
O sadza está pronto
O molho está pronto
A família está à espera
Mas não há sal
Não penses que estou louco
tu e eu sabemos quem está louco
Não penses que não consigo planear
Sabemos muito quem é que não planeia
Por favor, ajuda-me com sal
Até uma colher de chá resolve
Por favor, não tenho culpa
A nossa terra foi tomada por espíritos malignos
Chirikuré Chirikuré
Nota: Esta sequência de poemas aqui publicados de forma simbólica são o meu contributo para uma iniciativa que decorreu em várias cidades do mundo e que pretendia lembrar, discutir e denunciar uma série de atrocidades que têm vindo a ser cometidas no Zimbabué. A História não é fácil de compreender, nem é um argumento simplório e linear e simples.
Enfim, pede-se apenas que respeitem as pessoas - e isto é bastante simples.
Sal
Pedir sal não significa que eu seja pobre
Emprestar sal não significa que esteja falido
Nosso sal desapareceu inesperadamente
Nosso sal acabou inesperadamente
Se a cantina ainda estivesse aqui
As crianças poderiam ir comprar um pouco
Mas a cantina desapareceu
Foi destruída pelo Tsunami
O sadza está pronto
O molho está pronto
A família está à espera
Mas não há sal
Não penses que estou louco
tu e eu sabemos quem está louco
Não penses que não consigo planear
Sabemos muito quem é que não planeia
Por favor, ajuda-me com sal
Até uma colher de chá resolve
Por favor, não tenho culpa
A nossa terra foi tomada por espíritos malignos
Chirikuré Chirikuré
Nota: Esta sequência de poemas aqui publicados de forma simbólica são o meu contributo para uma iniciativa que decorreu em várias cidades do mundo e que pretendia lembrar, discutir e denunciar uma série de atrocidades que têm vindo a ser cometidas no Zimbabué. A História não é fácil de compreender, nem é um argumento simplório e linear e simples.
Enfim, pede-se apenas que respeitem as pessoas - e isto é bastante simples.
Labels: Interregnos, Zimbabué
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«SHOUT! PELA DEMOCRACIA E LIBERDADE DE IMPRENSA NO ZIMBABUÉ»
Oráculo do Povo
O que ela vê é o matagal
De heróis desempregados
Que na véspera conquistaram um país
E hoje caíram na desgraça
E alguns morros incitaram-lhes a sede
Outros ao fogo e à blasfémia
Que acenam a turistas, autocarros
Soltando ruína inenarrável
Vê quilómetros de terra ressequida
de ocupantes esquálidos assolados
E de senhores obesos, soberbos e armados
Que incendeiam-lhes os incidentais abrigos
Levando ao juiz, ao tribunal da aldeia
o mais faminto e vulnerável cidadão -
Vê camiões de ajuda alimentar
Esfumarem-se entre o ponto de partida
E um destino que os aguarda –
Desesperada, encontram-na em tabernas
E botequins, na berma dos caminhos
E em bordéis: vendendo as derradeiros
Estilhaços da sua quimera amargurada.
Dambudzo Marechera
Oráculo do Povo
O que ela vê é o matagal
De heróis desempregados
Que na véspera conquistaram um país
E hoje caíram na desgraça
E alguns morros incitaram-lhes a sede
Outros ao fogo e à blasfémia
Que acenam a turistas, autocarros
Soltando ruína inenarrável
Vê quilómetros de terra ressequida
de ocupantes esquálidos assolados
E de senhores obesos, soberbos e armados
Que incendeiam-lhes os incidentais abrigos
Levando ao juiz, ao tribunal da aldeia
o mais faminto e vulnerável cidadão -
Vê camiões de ajuda alimentar
Esfumarem-se entre o ponto de partida
E um destino que os aguarda –
Desesperada, encontram-na em tabernas
E botequins, na berma dos caminhos
E em bordéis: vendendo as derradeiros
Estilhaços da sua quimera amargurada.
Dambudzo Marechera
Labels: Interregnos, Zimbabué
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«SHOUT! PELA DEMOCRACIA E LIBERDADE DE IMPRENSA NO ZIMBABUÉ»
Noites com fantasmas - Carta de uma criança no entulho
(escrita depois da Operação Murambatsvina, na qual o governo do Zimbabwe destruiu 700 mil casas)
querido samueri, meu amigo,
nunca mais te verei de novo;
talvez sim.
mas só vou saber quando o pai encontrar uma nova morada para nós.
moradas!
já não temos nenhum endereço.
somos sem-abrigo.
e agora que escrevi esta carta,
para onde devo enviá-la?
devo dizer,
samueri,
ao cuidado do próximo entulho
harare?
ou devo dizer,
samueri,
ao cuidado de toda a imundície,
salisbury?
lembras-te
da nossa pequena rua?
aquela com o vidro quebrado,
aquela onde urinávamos livremente
atrás do pequeno mercado
e as nossas mães nos chamavam
com as doces vozes de mães?
As nossa pequena rua,
com galinhas que não eram de ninguém
em particular,
já não existe:
não sei qual é a tua morada,
tu não sabes qual é a minha.
samueri,
estou sentado
num tijolo partido,
o único sobrevivente da nossa casa.
E tu, estás em cima do quê,
samueri?
Estás a ver, samueri,
não temos armas
nem flechas
nem arcos,
ou paus.
Diz-me então,
samueri,
porque é que a polícia
traz armas
martelos
raiva
sangue nos olhos
para destruir a nossa casa?
até o professor mutawu,
também não tem morada.
vi a escola
a arder.
vi o professor a chorar,
a ser levado pela polícia
com armas e raiva.
continuarei a escrever esta carta,
samueri
até saber
a tua morada
a morada do professor mutawu
a morada do trabalho do meu pai
a morada da minha irmãzinha
a morada do meu cachorrinho
a morada da minha mãe
a morada de todos
ao cuidado do spca
ao cuidado do departamento da imundície
ao cuidado da ordem
ao cuidado do campo da caledónia,
ao cuidado das terras tribais
ao cuidado da margem do rio!
ao cuidado do campo de baratas!
ao cuidado das larvas
ao cuidado do crime e do pó
ao cuidado da presidência!
samueri,
diz ao professor mutawu,
que quero aprender a escrever
para poder apagar as memórias
dos destroços da nossa casa
diz ao professor mutawu,
que nos veremos
quando eu tiver uma barba longa
e conduzir um carro
como o carro de polícia
como os soldados com armas.
samueri,
envio-te apenas
um tijolo partido
antes deles voltarem a parti-lo
pela segunda vez
pela terceira vez
pela quarta vez.
um tijolo partido
um coração partido
um pai partido
uma mãe partida.
samueri,
sê forte.
samueri,
cuidado com os tijolos que caem
e armas.
Chenjerai Hove, autor zimbabueano
Noites com fantasmas - Carta de uma criança no entulho
(escrita depois da Operação Murambatsvina, na qual o governo do Zimbabwe destruiu 700 mil casas)
querido samueri, meu amigo,
nunca mais te verei de novo;
talvez sim.
mas só vou saber quando o pai encontrar uma nova morada para nós.
moradas!
já não temos nenhum endereço.
somos sem-abrigo.
e agora que escrevi esta carta,
para onde devo enviá-la?
devo dizer,
samueri,
ao cuidado do próximo entulho
harare?
ou devo dizer,
samueri,
ao cuidado de toda a imundície,
salisbury?
lembras-te
da nossa pequena rua?
aquela com o vidro quebrado,
aquela onde urinávamos livremente
atrás do pequeno mercado
e as nossas mães nos chamavam
com as doces vozes de mães?
As nossa pequena rua,
com galinhas que não eram de ninguém
em particular,
já não existe:
não sei qual é a tua morada,
tu não sabes qual é a minha.
samueri,
estou sentado
num tijolo partido,
o único sobrevivente da nossa casa.
E tu, estás em cima do quê,
samueri?
Estás a ver, samueri,
não temos armas
nem flechas
nem arcos,
ou paus.
Diz-me então,
samueri,
porque é que a polícia
traz armas
martelos
raiva
sangue nos olhos
para destruir a nossa casa?
até o professor mutawu,
também não tem morada.
vi a escola
a arder.
vi o professor a chorar,
a ser levado pela polícia
com armas e raiva.
continuarei a escrever esta carta,
samueri
até saber
a tua morada
a morada do professor mutawu
a morada do trabalho do meu pai
a morada da minha irmãzinha
a morada do meu cachorrinho
a morada da minha mãe
a morada de todos
ao cuidado do spca
ao cuidado do departamento da imundície
ao cuidado da ordem
ao cuidado do campo da caledónia,
ao cuidado das terras tribais
ao cuidado da margem do rio!
ao cuidado do campo de baratas!
ao cuidado das larvas
ao cuidado do crime e do pó
ao cuidado da presidência!
samueri,
diz ao professor mutawu,
que quero aprender a escrever
para poder apagar as memórias
dos destroços da nossa casa
diz ao professor mutawu,
que nos veremos
quando eu tiver uma barba longa
e conduzir um carro
como o carro de polícia
como os soldados com armas.
samueri,
envio-te apenas
um tijolo partido
antes deles voltarem a parti-lo
pela segunda vez
pela terceira vez
pela quarta vez.
um tijolo partido
um coração partido
um pai partido
uma mãe partida.
samueri,
sê forte.
samueri,
cuidado com os tijolos que caem
e armas.
Chenjerai Hove, autor zimbabueano
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0 Comments Published by Edson Arantes do Nascimento on Tuesday, September 11, 2007 at 1:57 AM.
«SHOUT! PELA DEMOCRACIA E LIBERDADE DE IMPRENSA NO ZIMBABUÉ»
Vamos chorar com esperança
Sabemos de onde viemos
Vivemos tempos bons
Mas também momentos tristes
Sabemos onde estamos
Os momentos felizes são raros
A tristeza persegue-nos
Sabemos onde queremos chegar
À multiplicação dos momentos felizes
Onde a tristeza seja coisa do passado
Deveríamos estar de luto definitivamente
Mas deixem-nos chorar com esperança
Amanhã celebraremos
Chirikuré Chirikuré, autor zimbabueano
Vamos chorar com esperança
Sabemos de onde viemos
Vivemos tempos bons
Mas também momentos tristes
Sabemos onde estamos
Os momentos felizes são raros
A tristeza persegue-nos
Sabemos onde queremos chegar
À multiplicação dos momentos felizes
Onde a tristeza seja coisa do passado
Deveríamos estar de luto definitivamente
Mas deixem-nos chorar com esperança
Amanhã celebraremos
Chirikuré Chirikuré, autor zimbabueano
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0 Comments Published by Edson Arantes do Nascimento on Monday, September 10, 2007 at 2:52 AM.
«SHOUT! PELA DEMOCRACIA E LIBERDADE DE IMPRENSA NO ZIMBABUÉ»
Na prisão, o único telefone é a pia
Buraco: sopra e ouviremos!
Escreve um poema, não das palestras de sala de aula
Mas a partir do desafio estridente das barricadas
do monóculo brilhantemente congelado de uma mortalha
dos tiros do dia e da tocha humana gritando na noite
dos dentes sangrando que informaram a percepção subterrânea do fogo negro
Escreve um poema sem a rima e razão da Inglaterra
Nem o canto israelense que gagueja balas contra palestinos
Nem (por favor!) sobre a negritude que nos enegreceu
Escreve o poema, a canção, o hino, com o que dentro de ti fundiu metas com armas e criou cidadãos em vez de escravos
Não grites silenciosamente
Queremos ouvir, saber
E forjar o escudo
que o poeta precisa contra ELES!
Dambudzo Marechera, autor zimbabueano
Na prisão, o único telefone é a pia
Buraco: sopra e ouviremos!
Escreve um poema, não das palestras de sala de aula
Mas a partir do desafio estridente das barricadas
do monóculo brilhantemente congelado de uma mortalha
dos tiros do dia e da tocha humana gritando na noite
dos dentes sangrando que informaram a percepção subterrânea do fogo negro
Escreve um poema sem a rima e razão da Inglaterra
Nem o canto israelense que gagueja balas contra palestinos
Nem (por favor!) sobre a negritude que nos enegreceu
Escreve o poema, a canção, o hino, com o que dentro de ti fundiu metas com armas e criou cidadãos em vez de escravos
Não grites silenciosamente
Queremos ouvir, saber
E forjar o escudo
que o poeta precisa contra ELES!
Dambudzo Marechera, autor zimbabueano
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0 Comments Published by Edson Arantes do Nascimento on Friday, September 07, 2007 at 4:14 AM.
«SHOUT! PELA DEMOCRACIA E LIBERDADE DE IMPRENSA NO ZIMBABUÉ»
Na próxima quarta-feira, dia 12 de Setembro, o espaço Ler Devagar/Eterno Retorno em Braço de Prata, Lisboa, acolhe o evento «Shout! Pela Democracia e Liberdade de Imprensa no Zimbabué».
Esta iniciativa decorre simultaneamente em variadas cidades do Mundo e consiste na leitura colectiva de poemas de autores zimbabueanos em espaços públicos, nas rádios locais ou nacionais, e é promovida pela Fundação Peter Weiss for Art and Politics no âmbito do Festival Internacional de Literatura de Berlim (de 4 a 16 de Setembro nesta cidade).
Lisboa junta-se ao apelo lançado pela Peter Weiss e propõe a leitura de poemas de autores zimbabueanos e ainda de outros autores (Mia Couto e João Cabral de Melo Neto são alguns) que enformem o alerta que se pretende deixar ao Mundo: a realidade no Zimbabué é desesperante, os media são controlados e a informação manipulada, o povo tem fome e as perseguições políticas assumem cenários dantescos.
Nomes como Luanda Cozetti (cantora), Chullage (rapper), Nástio Mosquito (performer), Tiago Gomes (editor), Belen (actriz argentina), Meirinho (actor) e Danae (cantora) confirmaram a sua participação no evento. Começa às 21h30.
Paralelamente, haverá uma campanha verde nos jardins da cidade: usamos os ramos das árvores como braços de distribuição nos quais prendemos poemas do Zimbabué com uma breve explicação do evento e seu enquadramento.
Já mais de 50 países confirmaram a sua participação assim como vários escritores de renome: John Ashbery, Jon Fosse, Margaret Atwood, Alessandro Baricco, John M. Coetzee, Don Delillo, Nadine Gordimer, Gunter Grass e John Updike são alguns deles.
Apelamos aos media em geral, aos bloguistas, às rádios e aos autores de programas de cultura e literatura para uma participação activa: divulguem o evento, leiam um dos poemas no vosso programa ou venham ao evento e transmitam as leituras em directo.
O silêncio sobre o Zimbabué não pode continuar.
Divulguem e apareçam.
http://www.peter-weiss-stiftung.de/
(A livraria Ler Devagar/Eterno Retorno em Braço de Prata (antiga fábrica de armamento) fica junto à rotunda 25 Abril, a caminho do Parque das Nações. Na direcção Santa Apolónia-Expo encontra esta rotunda após os cilos da fábrica, faça meia rotunda para trás e entre na rua estreita à direita. Percorra o muro e entre no portão à direita. Estacionamento privativo e gratuito.)
Na próxima quarta-feira, dia 12 de Setembro, o espaço Ler Devagar/Eterno Retorno em Braço de Prata, Lisboa, acolhe o evento «Shout! Pela Democracia e Liberdade de Imprensa no Zimbabué».
Esta iniciativa decorre simultaneamente em variadas cidades do Mundo e consiste na leitura colectiva de poemas de autores zimbabueanos em espaços públicos, nas rádios locais ou nacionais, e é promovida pela Fundação Peter Weiss for Art and Politics no âmbito do Festival Internacional de Literatura de Berlim (de 4 a 16 de Setembro nesta cidade).
Lisboa junta-se ao apelo lançado pela Peter Weiss e propõe a leitura de poemas de autores zimbabueanos e ainda de outros autores (Mia Couto e João Cabral de Melo Neto são alguns) que enformem o alerta que se pretende deixar ao Mundo: a realidade no Zimbabué é desesperante, os media são controlados e a informação manipulada, o povo tem fome e as perseguições políticas assumem cenários dantescos.
Nomes como Luanda Cozetti (cantora), Chullage (rapper), Nástio Mosquito (performer), Tiago Gomes (editor), Belen (actriz argentina), Meirinho (actor) e Danae (cantora) confirmaram a sua participação no evento. Começa às 21h30.
Paralelamente, haverá uma campanha verde nos jardins da cidade: usamos os ramos das árvores como braços de distribuição nos quais prendemos poemas do Zimbabué com uma breve explicação do evento e seu enquadramento.
Já mais de 50 países confirmaram a sua participação assim como vários escritores de renome: John Ashbery, Jon Fosse, Margaret Atwood, Alessandro Baricco, John M. Coetzee, Don Delillo, Nadine Gordimer, Gunter Grass e John Updike são alguns deles.
Apelamos aos media em geral, aos bloguistas, às rádios e aos autores de programas de cultura e literatura para uma participação activa: divulguem o evento, leiam um dos poemas no vosso programa ou venham ao evento e transmitam as leituras em directo.
O silêncio sobre o Zimbabué não pode continuar.
Divulguem e apareçam.
http://www.peter-weiss-stiftung.de/
(A livraria Ler Devagar/Eterno Retorno em Braço de Prata (antiga fábrica de armamento) fica junto à rotunda 25 Abril, a caminho do Parque das Nações. Na direcção Santa Apolónia-Expo encontra esta rotunda após os cilos da fábrica, faça meia rotunda para trás e entre na rua estreita à direita. Percorra o muro e entre no portão à direita. Estacionamento privativo e gratuito.)
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