Interregnos
4 Comments Published by Edson Arantes do Nascimento on Sunday, November 11, 2007 at 5:10 AM.
» Angola é, sem dúvida, uma grande terra e um grande paísDipanda*
11 de Novembro de 1975 - faz hoje, 11 de Novembro de 2007, 32 anos que Angola se libertou oficialmente do colonialismo português, ou seja, que se libertou oficialmente da falta de visão, da injustiça como instituição social e do racismo a encoberto de valores (suposta e incrivelmente) 'maiores' - como o valor de 'nação' ou de 'império', por exemplo.
Viva Angola e os angolanos e todos os outros que, directa ou indirectamente, sempre se pautaram pelos valores das 'pessoas' (e isto não inclui, como é evidente, personagens como José Eduardo dos Santos, Jonas Savimbi e, talvez, repito - talvez, Agostinho Neto e Holden Roberto).
*Independência
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Será que, onde antes existia falta de visão, hoje existem horizontes abertos? A justiça foi instituída? E o racismo foi verdadeiramente abolido, ou apenas substituído?
Estará Angola, actualmente, melhor do que nesses tempos horríveis? Ou os acontecimentos que tiveram lugar entretanto - nomeadamente uma guerra civil fratricida e penosa -, não mais serviram do que para legitimar uma oligarquia que utiliza os generosos recursos do país a seu bel-prazer, sem se preocupar com o futuro de Angola e dos angolanos?
Meu caro, como é evidente, não compreendeste o plano em que as coisas foram colocadas - tudo aquilo a que te tentas referir não invalida a base que sustentou uma luta de décadas. E não foi uma luta qualquer, muita atenção - foi uma luta pela justiça e pelo orgulho, pensas quê?
Tudo aquilo que se passou depois da dipanda, é apenas uma (das) longa(s) e austera(s) consequência(s) da tal 'falta de visão' e do racismo a encoberto de 'valores maiores'.
Ou parece-te que um país onde o acesso à educação estava singelamente dividido entre 'brancos' (que depois, e em apenas 3 meses, fugiram porque os 'pretos iam matá-los a todos' - eu chamo a isto 'peso de consciência') e 'pretos' tem algum futuro que não seja o 'auto-didacta'?
Havia uns que chamavam 'apartheid' a este 'esquema' social , outros chamavam-lhe 'luso-tropicalismo' - não deixa de ser, apenas e só, uma questão de adjectivação.
Angola é, quanto mais não seja por uma questão de princípio, um país com 'horizontes abertos', onde o racismo foi abolido na Constituição e na Lei (hoje, 'brancos' e 'pretos' vão para as mesmas escolas) - é verdade que os tempos continuam 'horríveis', mas agora (pelo menos isso) são os angolanos que têm o destino entre mãos.
A questão da guerra também foi referida de forma bastante limitada.
Se é certo que foi uma luta 'fratricida' (por ter sido disputada 'entre irmãos'), também não deixa de ser verdade que Angola foi o palco definitivo e cruel de uma Guerra Fria que se jogou num plano internacional (e, por isso, muito pouco 'fratricida') - de um lado a UNITA (altamente apoiada pelo 'apartheid' e pela máquina de guerra imperialista sul-africana (que já tinha ocupado parte do Zimbabué e a agora Namibia, antiga Rodésia), pelo antigo Zaire, pelos Estados Unidos e por... Portugal) e do outro o MPLA (fortemente 'cubanizado' - ainda hoje os laços são muitos grandes - e 'soviético' e muito de 'leste', comunista e tudo isso).
Para terminar porque isto já vai longo, a oligarquia que referiste não deixa de ser a mesma que todos os países do mundo se esforçam por 'criar' - uma elite abastada, bem formada e influente a nível político e militar (quanto mais não seja devido ao poder económico que normalmente detém), que acaba por servir de charneira para o desenvolvimento de um país. É uma questão de sobrevivência e, até, de soberania.
O problema é que, como te disse anteriormente, esta 'elite' não existia.
Teve de ser criada quase à força, quase por decreto e em 'três' dias - agora tens o resultado disso mesmo, ou seja, uma 'elite' multi-milionária mas despreparada, iludida e afastada dos problemas do seu povo, no fundo, divorciada de todos os angolanos. Realmente, não há como discordar disto.
No entanto, não vou deixar de repetir que Angola é, sem dúvida, uma grande terra e um grande país.
Até estranhava se o adbogado du diabo salazarento não viesse aqui botar veneno...
Liberdade e independência sim! Para todos os paises e todas as pessoas. O resto é só conversa.
Vai chamar salazarento ao Camões, ó camarada vigilante!