Vídeo Reportagem
4 Comments Published by Edson Arantes do Nascimento on Thursday, January 18, 2007 at 5:08 AM.
Benguela » Lobito
(peço desculpa pela - falta de - qualidade mas os meus fracos dotes de realização + máquina fraca + compressor do Youtube dão nisto. Mesmo assim, dá para deambular um pouquinho pelas rotas de Angola)
(peço desculpa pela - falta de - qualidade mas os meus fracos dotes de realização + máquina fraca + compressor do Youtube dão nisto. Mesmo assim, dá para deambular um pouquinho pelas rotas de Angola)
Labels: Benguela, Kanjala, Lobito, Províncias, Viagens, Vídeo Reportagem
Foto Reportagem
0 Comments Published by Edson Arantes do Nascimento on Wednesday, January 17, 2007 at 4:50 PM.Viagem a Benguela, Província de Benguela. Dezembro de 2006. (tem continuação)



Legenda:
- 2 de cima, Praia da Caotinha
- meio, Restinga do Lobito
- 2 de baixo, Palácio Colonial (Catumbela), Rio Catumbela
Labels: Benguela, Foto Reportagem, Fotografias, Lobito, Províncias, Viagens
Lobito - a cidade "figura de estilo"
A cidade do Lobito, situada na província de Benguela, a cerca de 30 km da capital provincial (que é Benguela, precisamente) e a uns 500, 550 km da capital do país, Luanda, poderia ser a metáfora que define Angola.
Vejamos, então - e vou ter de começar pelos aspectos negativos, que ainda hoje apertam a minha garganta. Já dói e tudo.
Mas dói ainda mais ver uma cidade linda com as ruas todas partidas, sem alcatrão e sem vias de circulação dignas; dói inspirar aquela mistela de pó, CO2 e lixo; dói ver uma recolha de resíduos que classificaria de inexistente, com toda uma panóplia de cheiros e doenças adjacentes; dói entrar na cidade e ver aqueles musseques cheios de pessoas (sim, também são pessoas, não parece mas são) que vivem sem um pingo de respeito - a sua condição passou a ser de extra-terrestres, nem os animais mais perigosos são colocados num jardim zoológico sem água, luz e esgotos.
Confesso a minha depressão quando pude observar com "olhos de ver" aquela paisagem desoladora - o mar, a Restinga e o porto do Lobito, no mesmo plano visual dos musseques, das pessoas (sim, também são pessoas, não parece mas são) e daquela água fétida e podre e assassinada que descia a ladeira... É perturbador da minha saúde mental.
Mas não deixa de ser uma vergonha - a cidade que poderia ser tudo e não é nada. O país que poderia ser tudo e não é nada.
Lobito é Angola. (Arrisco.) Agora batam-me se quiserem.
A cidade do Lobito, situada na província de Benguela, a cerca de 30 km da capital provincial (que é Benguela, precisamente) e a uns 500, 550 km da capital do país, Luanda, poderia ser a metáfora que define Angola.
Vejamos, então - e vou ter de começar pelos aspectos negativos, que ainda hoje apertam a minha garganta. Já dói e tudo.
Mas dói ainda mais ver uma cidade linda com as ruas todas partidas, sem alcatrão e sem vias de circulação dignas; dói inspirar aquela mistela de pó, CO2 e lixo; dói ver uma recolha de resíduos que classificaria de inexistente, com toda uma panóplia de cheiros e doenças adjacentes; dói entrar na cidade e ver aqueles musseques cheios de pessoas (sim, também são pessoas, não parece mas são) que vivem sem um pingo de respeito - a sua condição passou a ser de extra-terrestres, nem os animais mais perigosos são colocados num jardim zoológico sem água, luz e esgotos.
Confesso a minha depressão quando pude observar com "olhos de ver" aquela paisagem desoladora - o mar, a Restinga e o porto do Lobito, no mesmo plano visual dos musseques, das pessoas (sim, também são pessoas, não parece mas são) e daquela água fétida e podre e assassinada que descia a ladeira... É perturbador da minha saúde mental.
Não obstante, a cidade goza de uma condição geográfica fantástica, para ser comedido. O Lobito situa-se junto ao mar, mas forma uma baía interior e abrigada, que deu origem ao mais importante porto comercial do país (claro). Já assim seria no tempo do outro senhor, aquele que bateu com os cornos no chão.
Ainda por cima é um porto natural - a natureza assim quis, seja feita a sua vontade.
Continuando, chegamos facilmente a uma conclusão óbvia. Devido ao tal do porto, o Lobito é bem capaz de ser a segunda capital económica do país, logo a seguir a Luanda. É ainda um pólo potenciador e gerador de empresas, empregos, negócios e negociatas.
Mais: o Lobito arrisca-se facilmente a ser uma das cidades mais bonitas de Angola. O mar, a baía interior, a Restinga (língua de areia que separa a baía do mar aberto e que tem praia para os dois lados - e que praia maravilhosa fiz eu!), a entrada na cidade (no sentido Norte/Sul), as cordilheiras verdes que a rodeiam (a Kanjala, a puta da Kanjala!!), a beleza e história da arquitectura colonial (lagarto, lagarto, lagarto)... O potencial económico, nomeadamente nas áreas do comércio, turismo e hotelaria está lá todo. E nota-se, ainda assim.
Mas não deixa de ser uma vergonha - a cidade que poderia ser tudo e não é nada. O país que poderia ser tudo e não é nada.
Lobito é Angola. (Arrisco.) Agora batam-me se quiserem.
Labels: Benguela, Kanjala, Lobito, País, Províncias, Sul, Viagens
A caminho da cidade das acácias rubras
Já com cinco horas de caminho no corpo, aproxima-se a famosa Kanjala. Digamos que é famosa pelas razões menos boas para um automobilista de origens europeias: são cerca de 70 km de troço destruído (não, não é o mesmo que esburacado), irritante, exasperante. O pó é tipo post-it - fino, pequeno e cola-se em toda a superfície disponível, seja ela de grande ou pequena dimensão. A coluna vertebral, entretanto, já assumiu uma postura naturalmente serpenteada. Juntemos pimenta a esta festa: o troço faz-se, ainda por cima em dia de estreia, quando a noite já está velha. Nem Carlos Sainz rasparia as mãos de contente.
Minto: a determinada altura do caminho (enfim, há que nomear aquela "coisa"), num kimbo pequeno mas com cerveja, um pastor - a Kanjala é uma zona alta e húmida, fértil e boa para a pecuária -, com certeza inebriado por uma qualquer música, dançava de forma frenética abraçado ao seu cajado. Contente. Enquanto isso, camiões, ligeiros, jipes e quejandos continuavam uma jornada que não parecia ter fim. Afinal tinha: ao fim de duas horas e qualquer coisa, lá estava ele, o Fim. Se Deus existe, deve ser, com certeza, o fim da Kanjala.
Neste caso até teve a denominação de "Operação Sprite" - uma barricada policial ordenava a paragem de quase todas as viaturas. As palavras de ordem eram "Boas Festas" e "Gasosa" (daí a "Operação Sprite"). Simpáticos, estes agentes "de Deus", não é? Depois de uma viagem desgastante ainda nos desejam boas festas e oferecem gasosa.
Mentira. Como a língua portuguesa é traiçoeira e mal-tratada, os termos referidos, em Angola, significam kumbu, dinheiro, graveto, pasta. Passámos sem dar (nem receber) troco.
O destino era a cidade do Lobito, primeiro, e depois, à laia de destino final, Benguela.
Fiquem com os números, então: cerca de 10 horas de viagem; 600 km por estradas esburacadas, "achinesadas" (são eles que se preparam para reparar todo o trajecto), estrupiadas; dezenas de paisagens deslumbrantes; 10 horas de sono no dia seguinte.
Sobre as cidades do Lobito e Benguela, outras postas de seguirão.
Nota: devido a problemas técnicos ainda por apurar, não é possível publicar a Foto Reportagem do evento. Espero poder fazê-lo nos próximos dias.
Já com cinco horas de caminho no corpo, aproxima-se a famosa Kanjala. Digamos que é famosa pelas razões menos boas para um automobilista de origens europeias: são cerca de 70 km de troço destruído (não, não é o mesmo que esburacado), irritante, exasperante. O pó é tipo post-it - fino, pequeno e cola-se em toda a superfície disponível, seja ela de grande ou pequena dimensão. A coluna vertebral, entretanto, já assumiu uma postura naturalmente serpenteada. Juntemos pimenta a esta festa: o troço faz-se, ainda por cima em dia de estreia, quando a noite já está velha. Nem Carlos Sainz rasparia as mãos de contente.
Minto: a determinada altura do caminho (enfim, há que nomear aquela "coisa"), num kimbo pequeno mas com cerveja, um pastor - a Kanjala é uma zona alta e húmida, fértil e boa para a pecuária -, com certeza inebriado por uma qualquer música, dançava de forma frenética abraçado ao seu cajado. Contente. Enquanto isso, camiões, ligeiros, jipes e quejandos continuavam uma jornada que não parecia ter fim. Afinal tinha: ao fim de duas horas e qualquer coisa, lá estava ele, o Fim. Se Deus existe, deve ser, com certeza, o fim da Kanjala.
Neste caso até teve a denominação de "Operação Sprite" - uma barricada policial ordenava a paragem de quase todas as viaturas. As palavras de ordem eram "Boas Festas" e "Gasosa" (daí a "Operação Sprite"). Simpáticos, estes agentes "de Deus", não é? Depois de uma viagem desgastante ainda nos desejam boas festas e oferecem gasosa.
Mentira. Como a língua portuguesa é traiçoeira e mal-tratada, os termos referidos, em Angola, significam kumbu, dinheiro, graveto, pasta. Passámos sem dar (nem receber) troco.
O destino era a cidade do Lobito, primeiro, e depois, à laia de destino final, Benguela.
Fiquem com os números, então: cerca de 10 horas de viagem; 600 km por estradas esburacadas, "achinesadas" (são eles que se preparam para reparar todo o trajecto), estrupiadas; dezenas de paisagens deslumbrantes; 10 horas de sono no dia seguinte.
Sobre as cidades do Lobito e Benguela, outras postas de seguirão.
Nota: devido a problemas técnicos ainda por apurar, não é possível publicar a Foto Reportagem do evento. Espero poder fazê-lo nos próximos dias.
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