Angola, pelos meus olhos

Na "banda", de coração e língua afiada: considerações, dissertações e opiniões sopradas debaixo do Sahara


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»"Yes, he can"

Oba Oba, Obama

Fixem este dia - o dia em que um preto assume a presidência de um país que ainda em 1920 tinha lugares marcados, uns para os 'whites', outros para os 'blacks'. 04-11-2008 - Bem sei que estou a ser optimista, felizmente.

De facto é incontornável, também eu não me pude deixar ficar de lado nesta contenda em direcção à Casa Branca. O inquilino que lá está agora deixou as rendas por pagar, mesmo depois dos vizinhos o terem visto a abandonar a vivenda pela janela e com duas malas entremãos, cheias de dólares e umas quantas .38, presume-se.

Enfim, gostaria de dizer que Bush (ou é McCain?) é parvo, mas não é burro.

Quanto ao candidato McCain, gostaria de dizer que não tenho nada a dizer. Aliás, também McCain é assim,

(Eh!, 'também' significa que serei comparável a este avô, será? Não quero!),

também McCain é assim, dizia: fala pouco, repete uns quantos 'tough' e uns quantos 'God' e that's it. É velho, tem a mania das guerras (já vi isto em qualquer lado) e... talvez seja como uma grande parcela do eleitorado americano. Rural, conservador (muito conservador), liberal em termos económicos (agora entalei-o ya?), racista (não me levem a mal, condenem os racistas) e elitista.

Enfim, gostaria de dizer que Bush (ou é McCain?) é parvo, mas não é burro.

Já Obama rompe com todos os adjectivos colados ao seu rival de hoje.

Obama tem ainda a vantagem de ser coerente. Ele é o verdadeiro sonho americano, aquele filme onde tudo é possível, desde que se trabalhe. Filho de pai queniano e mãe americana do Havai, Obama encarna a terra das oportunidades e dos chavões, mas onde uma minoria pode eleger um seu semelhante, só porque é portador de uma mensagem, de um futuro, de humanismo e de vontade. Isto é democracia.

Da minha geração, não conheci nenhum líder dos EUA que tivesse um perfil assim, nem Clinton conseguia gerar esta aura. Talvez JFK, por tudo e por ter sido o primeiro presidente preto dos EUA (esta é uma classificação oficiosa, atenção, made in APMO). Por outro lado, esta campanha assume também uma acção de pedagogia para muitas regiões do mundo - será que Angola, por exemplo, está preparada para ter um presidente da república branco? Nem pensar!, mesmo quando todos, mas mesmo todos os angolanos votariam Obama.

Pelas razões erradas, mas votariam. A questão é que, daqui em diante, os angolanos, caso sejam confrontados com uma situação parecida, vão pensar duas vezes. Obama oblige.

Enfim, gostaria de terminar dizendo que Obama tem tudo para ganhar e inaugurar um novo estilo, mas não sou assim tão burro. Vamos ver para crer.

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